domingo, 25 de julho de 2010

Sobre o romance "O Pai Goriot"


Em 1834 Balzac escrevia a sua futura esposa: “Uma coisa que você não espera é O pai Goriot, uma obra-prima. A pintura de um sentimento tão grande que nada o esgota, nem os atritos, nem as feridas, nem as injustiças, um homem que é pai como um santo, um mártir e um cristão”. Quanto à “obra-prima”, Balzac está coberto de razão. Quanto à descrição do romance, por outro lado, ele não chega nem perto de mostrar toda a sua abrangência.
O pai Goriot é um verdadeiro cruzamento de intrigas e de personagens. Além do personagem-título descrito por Balzac, deparamo-nos com um universo que abarca desde o submundo do crime — representado por um Vautrin misterioso e tentador —, até os toucadores das damas da alta sociedade. Mas o verdadeiro protagonista da ação é Eugène de Rastignac, jovem estudante provinciano almejando sucesso na sociedade parisiense que acaba de descobrir. Trata-se com efeito de um romance de formação no sentido mais estrito da expressão: a aprendizagem da vida social na Paris do século XIX.
Aqui os personagens são criaturas de grande complexidade que vão acabar por formar a base de sustentação de toda a Comédia humana. Com este romance, Balzac inaugura o procedimento do “retorno de personagens”, pelo qual muitos nomes vão ressurgir em diversos outras obras como figuras centrais ou secundárias (é o caso, por exemplo, de Vautrin que, em As ilusões perdidas, tem um papel fundamental na ruína de Lucien de Rubempré). De forma que O pai Goriot acaba servindo como chave psicológica de obras menos cotadas do autor.
O cerne do romance se encontra, portanto, tanto nos dramas pessoais quanto no jogo das relações humanas, nas disputas pelo poder e na conquista de suas ambições, que se apresentam com uma crueza quase imoral — ao menos para os padrões da época: “Veja, o senhor nada será se não despertar o interesse de uma mulher. Precisará de uma jovem, rica, elegante. Mas, se tiver um sentimento verdadeiro, esconda-o como um tesouro; jamais deixe alguém desconfiar dele, pois estará perdido. Deixaria de ser o carrasco para tornar-se a vítima”, sugere a Rastignac a senhora de Beauséant, sua protetora.
Nesse universo — “esgoto moral de Paris”, como apontaram os críticos de Balzac — a aprendizagem do jovem e ingênuo Rastignac precisa passar por diversas tentações, corrupção e até o assassinato. Balzac, precursor do romance moderno e do realismo, não pretende apenas “fazer poesia”. Seu objetivo é maior, a própria concepção de uma Comédia Humana é a prova: ele busca esmiuçar a sociologia da cidade e as opções oferecidas a jovens como Rastignac na vida mundana. Por isso adverte seus leitores que, “após ler os infortúnios secretos do pai Goriot, [o leitor] jantará com apetite, atribuindo sua própria insensibilidade ao autor, taxando-o de exagerado, acusando-o de poesia. Mas que fique claro: este drama não é ficção nem romance. All is true, e é tão verdadeiro, que todos poderão reconhecer os elementos dentro de si, talvez em seu coração”.

Sobre O Pai Goriot, de Balzac






Le Pére Goriot (O Pai Goriot, em português) é um romence de Honoré de Balzac.
Talvez o mais conhecido romande da
Comédia Humana de Honoré de Balzac (1799 - 1850), Le Pére Goriot, publicado pela primeira vez em 1835.
Le Pére Goriot compõe os "Estudos dos Costumes - Cenas da Vida Privada" da
Comédia Humana, monumental obra composta por 89 romances, novelas e outras histórias, de um projeto ainda mais audacioso, de uma obra de 137, conforem seu "Catálogo do que Conterá" a Comédia Humana, de 1845.
Engels, companheiro de Karl Marx, certa vez declarou acerca da obra de Balzac: "Aprendi mais em Balzac sobre a sociedade francesa da primeira metáde do século XIX, inclusive nos seus pormenores econômicos (por exemplo, a redistribuição da propriedade real depois da Revolução Francesa) do que todos os livros de historiadores, economistas e estatísticos da época, juntos" (Carta a Margaret Harkness).


Fonte: wikipedia

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Excelente contribuição de Susana Espindola

Prezada Léa,

Adorei nosso encontro de sábado, consegui compreender muito do Goethe, seu ambiente e sua relevância, e até de mim mesma. Fruto desta cultura europeia-germânica, pude perceber melhor determinadas ações, atitudes, conceitos com os quais convivi toda minha vida.
Agradeço a ti e, se puderes, transmite meus cumprimentos ao professor.
Lamentavelmente estarei viajando no encontro sobre Balzac.
Beijo e toca em frente com a iniciativa.

Susana Espíndola

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pai Goriot, de Balzac

Entramos no mês de leitura de "Pai Goriot", de Balzac, para o "Porque hoje é sábado" de 28 de agosto. Em breve, neste blog, apontamentos sobre o livro, o palestrante - escritor e editor Ivan Pinheiro Machado-, o contexto histórico e cultural em que nasceu a obra e aspectos relevantes sobre as traduções no Brasil.
O "Porque hoje é sábado" já está acontecendo no Instituto Cultural Brasileiro Norte Americano, na Riachuelo, 1257.
Acompanhem!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Comunicado especial de Profa. Dra. Léa Masina

Queridos amigos participantes do "PORQUE HOJE É SÁBADO" :

Por motivos de força maior, precisei deslocar o local do nosso evento para o Auditório Érico Veríssimo, do Instituto Cultural Norte-Americano (Riachuelo, 1257, quase em frente à Biblioteca Estadual). Acho que o evento sai ganhando ao ser incorporado à programação do Cultural, uma instituição séria e respeitável, ainda que continue sob minha coordenação.

Desse modo, espero encontrá-los todos no dia 17, às 10 horas, nas dependências do Cultural, onde seremos aguardados no Auditório Erico Veríssimo, para ouvirmos a palestra e a abordagem crítica do Professor Doutor Gerson Neuman sobre a obra de Goethe, com ênfase ao livro "Os sofrimentos do jovem Werther". Por favor, prestigiem e compareçam, é muito importante começarmos essa nova fase com a adesão de muitos leitores e com o famoso "pé direito".

Por favor, confirmem suas presenças comigo, estarei aguardando.

Abraço de

Léa Masina

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Contribuições do Prof. Dr. Gerson Neumann ao 'Porque hoje é sábado"

Johann Wolfgang von Goethe – breve biografia

Johann Wolfgang von Goethe nasceu na cidade de Frankfurt am Main, no dia 28 de Agosto de 1749, e morreu na cidade de Weimar, no dia 22 de Março de 1832. Goethe foi um grande nome da literatura alemã. Além disso, foi um pensador que transitou por diversos ramos das ciências. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang. Romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais compõem sua vasta produção literária. Além disso, sua correspondência mantida com pensadores, viajantes e personalidades da época é de grande valor como fonte de pesquisa e análise de seu pensamento. Através do romance Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe tornou-se famoso em toda a Europa no ano de 1774. Mais tarde, já na sua fase madura e influenciado por Friedrich Schiller, Goethe se tornou o mais importante autor do Classicismo de Weimar. Goethe é até hoje considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo o mundo.

Ver:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Wolfgang_von_Goethe
http://www.literaturwelt.com/autoren/goethe.html



Crítica

“[…] Werther não é, simplesmente, um romance em cartas assim como A nova Heloísa de Rousseau ou Pamela de Richardson, modelos desse tipo de romance antes da empreitada goetheana. Nessas obras, embora haja uma personagem principal nítida, são as missivas de vários correspondentes que forjam a narrativa. A obra de Goethe é – no entanto e muito antes – o romance de uma alma, uma história interior, que antecipa, inclusive, a opulência psicológica de Afinidades eletivas, uma das obras-primas do autor. O “eu” mostra-se tão forte, o sujeito se evidencia tão vigoroso no romance, que não permite a aparição escrita dos correspondentes e se assegura tão somente na sua própria opinião. Em Werther todas as cartas são escritas pelo herói e apenas emendadas por um suposto editor. [...]”

Por Marcelo Backes, no Prefácio de Os sofrimentos do jovem Werther, L&PMPocket, 2009, p.8.

sábado, 3 de julho de 2010

Email de Léa Masina

Queridos amigos

Neste mês de julho, nosso encontro do "Porque hoje é sábado" será no dia 17 e não no final do mês, como de costume. Isso foi decidido em função das férias de muitas pessoas que se ausentam na segunda metade de julho.

Assim, venho "convocá-los " a ler, de imediato, o nosso Werther. O palestrante é Doutor em Literatura, com Láurea, pela Universidade Livre de Berlin, além de especialista em Literatura Germânica . Atualmente, Gerson Neuman trabalha na UFPEL e virá a Porto Alegre especialmente para participar do nosso evento.

O clima do Werther é muito romântico e sentimental, com descrições de paisagens da natureza, e repleto de sentimentalismo e idealização. Também há as cartas, que dão um toque especial ao romance. Por causa dessa obra, que foi, de início, proibida na Alemanha, desencadeou-se uma onde de suicídios entre os jovens apaixonados... Hoje, isso parece quase impossível!

Leiam a obra, então, para que o encontro com Gerson faça MUITO SENTIDO. Ela foi recentemente publicada pela Abril e se consegue em bancas de revista por menos de 15 reais.

Um abraço e bom final de semana, vou começar a reler o meu exemplar.

Léa Masina