quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conhecendo 'O Pai Goriot"

Pai Goriot
Romance de Honoré de Balzac (1834-35), com o título original Père Goriot, pertencente à série "Cenas da Vida Privada". O amor desmesurado de Goriot pelas duas filhas e o abandono a que estas o votam é testemunhado por Eugène de Rastignac, jovem provinciano em busca de um lugar na melhor sociedade parisiense.

Resenha L&PM

Dando prosseguimento à publicação de A comédia humana,a monumental obra de Honoré de Balzac (1799-1850), a L&PM Pocket está colocando nas livrarias O pai Goriot. A comédida humana é o título geral que dá unidade aos 89 romances, novelas e histórias curtas que compõem este grande painel do século XIX, ordenado pelo autor em três partes: “Estudos de costumes”, “Estudos analíticos” e “Estudos filosóficos”. A maior delas, “Estudos de costumes”, com 66 títulos, subdivide-se em seis séries temáticas: Cenas da vida privada (na qual se incui O pai Goriot), Cenas da vida provinciana, Cenas da vida parisiense, Cenas da vida política, Cenas da vida militar e Cenas da vida rural.
Com O pai Goriot, Balzac inaugura o procedimento que se tornou uma das marcas de A comédia humana: o retorno dos personagens nos romances seguintes, ora como protagonistas, ora como coadjuvantes. Esse é o caso, por exemplo, das filhas do pai Goriot, Delphine e Anastasie, que participam de variadas histórias.
Em O pai Goriot, o personagem-título é tratado com desdém pelos outros locatários da pensão da senhora Vauquer. Antigamente um senhor de posses que enriquecera durante a Revolução Francesa, Goriot cria as duas filhas sozinho depois da morte da mulher. Rodeadas de luxo, as irmãs casam e se tornam, respectivamente, condessa de Restaud e baronesa de Nucingen. Goriot, agora velho e falido, é apenas uma má lembrança da origem das moças, que, para evitar os mexericos parisienses, escondem o pai.
Mas, na pensão, dois moradores se diferenciam desse ambiente repleto de pessoas sem futuro. São eles o cínico Vautrin e Eugène de Rastignac, estudante de Direito que acaba se aproximando do pai Goriot. Rastignac é um jovem ambicioso, que, assim como as filhas de Goriot, também quer usufruir do “ouro e do prazer” que Paris oferece a um grupo de privilegiados, e para isso conta com a ajuda do misterioso Vautrin. Essa busca insaciável de Eugène por um lugar de destaque na sociedade francesa expõe, de forma mais ampla, as variadas facetas da condição humana quando essa sucumbe aos domínios do poder. O pai Goriot é um dos mais famosos romances de Balzac. Juntamente com Ilusões perdidas e Esplendores e misérias das cortesãs é considerado o segmento fundamental da espantosa obra de Honoré de Balzac.

Sobre a Obra "O Pai Goriot", de Balzac

O pai Goriot é considerado pelos críticos, juntamente com As ilusões perdidas e Esplendor e miséria das cortesãs a espinha dorsal da extensa obra de Balzac. É em O pai Goriot que o leitor é apresentado a dois das personagens mais celébres do escritor, Eugène Rastignac e Vautrin.
A história centra-se, mormente, apesar do título, na figura de Rastignac. O jovem apoiado pela família de camponeses muda-se para a capital francesa no intuito de estudar Direito. Assim, hospeda-se na pensão da Senhora Vauquer. No local, o jovem trava contato com um estudante de medicina, com Vautrin — um quarentão que vai tentar fazer com que ele veja o mundo doutra maneira — e Goriot. Esse último é um dedicado pai que faz sacríficios inimagináveis por suas filhas. Eugène, no início de sua estada em Paris, leva a sério os estudos, porém essa sede pelo conhecimento jurídico é deixada de lado assim que ele passa almejar uma alta posição na sociedade pariesiense que se dá por meio de dinheiro e indicações. O leitor, ao ler O pai Goriot, notará que Balzac soube captar com maestria a consolidação da burguesia no início dos oitocentos. E, aqueles que gostam de História verão que a burguesia francesa, após a revolução que eclodiu no fim dos setecentos, procurava agir com códigos semelhantes ao da aristocracia; a diferença crucial, porém, é que na sociedade pós-revolucionária o sangue azul não tinha o mesmo valor que o vil metal.
Desviei-me do caminho, retorno, então, ao enredo. Pois bem, Rastignac para galgar posições na sociedade de Paris pede ajuda à prima, uma mulher rica que lhe apresentará, tal como faz Vautrin, os atalhos para colocar-se como um homem célebre no meio burguês. É através dessa parente que o rapaz toma conhecimento de que pai Goriot é pai de duas mulheres ricas da capital francesa. Não entrarei em mais detalhes, pois senão acabarei contando boa parte dos factos que permeiam a história.
Posso dizer que O pai Goriot possuí uma força incrível, a pluralidade de vozes que atravessa o romance demonstra a força de Balzac. O narrador e Vautrin proferem frases que vão desde à filosófia ao discurso científico que estava a brotar no início do século XIX.
Há de se ressaltar também Paris; a cidade, além de ser o palco para as ações do romance, é com certeza a personagem central de várias obras que compõe A comédia humana, em O pai Goriot, isso não poderia ser diferente. A pólis é descrita tanto em sua miséria (a pensão da Senhora Vauquen), bem como no luxo. Porém, esse detalhamento da pobreza não é tão agressivo como nas obras de Zola. Entretanto, já vemos, a partir, dessas descrições como seria a prosa francesa no restante do século XIX.
Ao ler Balzac, sinto-me como se estivesse acompanhando um seriado com várias temporadas, um seriado enorme, uma vez que A comédia humana conta com cerca de 1.300 personagens. Ao longo da leitura, algumas delas aparecem ora como protagonistas, ora como coadjuvantes. É leitura imperdível!

O Pai Goriot, Balzac


Trecho de 'O Pai Goriot", Balzac


“Logo aparece a viúva, ataviada com sua touca de tule da qual escapam os cabelos de uma peruca mal colocada [...]. Seu rosto velhote, gorducho, do meio do qual sai um nariz de papagaio, suas mãozinhas rechonchudas, sua pessoa roliça como um rato de igreja, seu corpete cheio demais e flutuando, combinam com a sala que recende a desventura, onde a especulação se insinuou e cujo ar quente e fétido a senhora Vauquer respira sem ficar enojada. [...]Enfim, toda a sua figura explica a pensão, como a pensão implica sua figura.”

terça-feira, 27 de julho de 2010

Trecho de "O Pai Goriot", de Balzac



“Ser jovem, ter sede de alta sociedade, estar faminto por uma mulher e ver duas casas abrirem-se para ele! Colocar os pés no faubourg Saint-Germain ao ir à casa da viscondessa de Beauséant, os joelhos na Chaussée-d’Antin ao ser convidado para a casa da condessa de Restaud! Num relance mergulhar de enfiada nos salões de Paris, e acreditar-se bonito o bastante para ali encontrar ajuda e proteção de um coração de mulher! Sentir-se ambicioso o suficiente para dar um magnífico pontapé na corda bamba sobre a qual é preciso caminhar com a segurança de um saltimbanco que não vai cair, e encontrar em uma mulher encantadora a melhor das varas de equilibrista!”

domingo, 25 de julho de 2010

Trecho de "O Pai Goriot", de Balzac






“Após sacudir os galhos da árvore genealógica, a velha senhora concluiu que, de todas as pessoas que poderiam ajudar seu sobrinho, dentre a raça egoísta dos parentes ricos, a senhora viscondessa de Beauséant seria a menos recalcitrante. Escreveu à jovem dama uma carta no estilo antigo e entregou-a a Eugène, dizendo-lhe que, se fosse bem-sucedido junto à viscondessa, ela poderia auxiliá-lo a encontrar-se com os outros parentes. Poucos dias depois de chegar, Rastignac enviou a carta da tia à senhora de Beauséant. A viscondessa respondeu com um convite para um baile no dia seguinte.”